Saúde

Saiba como diferenciar dengue de covid-19



Febre, dor de cabeça, dor no corpo, vômitos, diarreia. O que até o final de 2019 eram sinais claros de dengue agora podem ser também sintomas de Covid. Ambas as doenças são provocadas por infecções por vírus, por isso quadros bastante semelhantes - o que diferencia a Covid é que ela traz ainda o desconforto respiratório, por ser um vírus que atinge esse sistema. Nem todos os pacientes terão sintomas, e quem apresenta os sinais não necessariamente terá todos.

Segundo Soraya Andrade Pereira, chefe do Departamento de Atenção Básica da Secretaria de Saúde de Rio Preto, o que mais diferencia uma doença da outra são os sintomas respiratórios. "A Covid dá coriza, tosse, irritação de garganta e isso não é comum na dengue", explica a médica. "Os outros sintomas, febre, dor no corpo, dor articular, diarreia são mais específicos de dengue, mas a gente sabe que a Covid está apresentando."

Soraya diz ainda que surgiu o que está sendo chamado de "covidengue", uma infecção simultânea pelos dois vírus. Conforme a médica, aproximadamente 3% dos 65.320 casos confirmados de Covid-19 tinham a infecção por dengue junto - ou seja, cerca de 1,9 mil ocorrências desde o início da pandemia. "Normalmente é um quadro mais arrastado, não um quadro mais grave, graças a Deus as pessoas que têm as duas coisas têm quadro de Covid mais leve. A dor no corpo da dengue é mais arrastada", descreve.

A médica diz que geralmente os casos de "covidengue" tem sido diagnosticados quando o médico pede os dois exames. "Solicitação de Covid e hemograma. A gente vê o hemograma, geralmente fica pronto no mesmo dia, a gente já inicia tratamento se o hemograma estiver alterado, com hidratação, medidas de controle da febre e aguarda o resultado da Covid. Se vier positivo e o quadro estiver persistindo, a gente pode entrar com antibiótico, se necessário", descreve.

Ela conta que vários pacientes não têm apresentado queda no número de plaquetas logo no início da infecção por dengue. "Mas tem hemoconcentração. O hematócrito fica mais alto, o sangue teoricamente fica mais grosso, a Covid não costuma dar isso aí."

Na dúvida se os sintomas são de Covid ou dengue, a orientação é procurar atendimento médico em uma das unidades respiratórias, que funcionam 24 horas por dia, todos os dias. São as unidades básicas de saúde Solo, Vetorazzo e Lealdade/Amizade e as de pronto atendimento Tangará e Vila Toninho.

Complicações

Tanto dengue quanto Covid podem apresentar complicações de forma muito rápida, e os sintomas de que o quadro está grave também são muito parecidos, incluindo dor abdominal e falta de ar. Ambas as doenças podem descompassar outros problemas de base, como diabetes e hipertensão. Por isso, a orientação da Saúde é clara: ao apresentar qualquer sintoma, procure um médico no mesmo dia.

Enquanto uma das principais complicações da dengue é a desidratação e a descompensação da coagulação sanguínea, a infecção por coronavírus toma o pulmão, derrubando o nível de oxigenação no sangue, e pode também atingir outros órgãos.

Rio Preto é uma cidade endêmica para dengue, ou seja, o vírus sempre circula por aqui. Em 2019, a cidade enfrentou a pior epidemia de sua história, com 33,2 mil casos e 19 mortes. No ano passado, foram 7.252 ocorrências positivas e quatro óbitos. Neste ano, há 2.633 casos confirmados até o dia 31 de março, e uma morte em investigação.

Percebendo a aceleração da transmissão de dengue ao mesmo tempo em que a Covid avança, a Secretaria de Saúde de Rio Preto criou, como em 2019, um Centro de Hidratação.

Alguns medicamentos contra a Covid já tiveram uso autorizado por órgãos reguladores, mas tudo ainda está no início e essa não é razão para deixar de se preocupar com a doença. No tratamento, têm sido utilizados, por exemplos, substâncias para controlar a febre e a dor e também antibióticos para frear a infecção. Não existe tratamento para dengue - as armas mais utilizadas são hidratação e remédios para controlar os sintomas. Nos dois casos, a automedicação é perigosa. Na dengue, por exemplo, anti-inflamatórios podem favorecer o risco de hemorragia.

A forma de transmissão de ambas é muito diferente. O coronavírus é transmitido pelo contato pessoal ou com superfícies contaminadas (pela fala, tosse ou espirro, por exemplo); enquanto a dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, mesmo vetor do zika e da chikungunya.

Mesmo em tempos de pandemia de uma doença respiratória, o inseto continua sendo um problema. A doença é grave e pode matar. A responsável pela atenção básica do município pontua que poucos pacientes de dengue têm apresentado complicações, mas elas estão acontecendo. "Tem sido um desafio, nossas unidades estão bem cheias de paciente com dengue", diz Soraya. "É extremamente importante a gente estar atento a todos os sintomas de dengue e controle do vetor. Não pode descuidar, tem que manter os quintais limpos, sem acúmulo de água."

RECEBA NOTÍCIAS NO SEU WHATSAPP!
Receba gratuitamente uma seleção com as principais notícias do dia.


Mais sobre Saúde