Agronegócios

Preço da arroba do boi gordo sobe, supera o patamar de R$ 300



O valor da arroba do boi superou os R$ 300 nesta semana, segundo informações do indicador Cepea. Na quarta-feira, 3, a arroba era comercializada por R$ 301,90, um recorde da série histórica. As razões são as exportações em alta e a baixa oferta de animais para abate no mercado interno.

Se para os consumidores a notícia implica preocupação em função da pressão de preços que as carnes já vem enfrentando há meses, os criadores de gado dizem que essa valorização - mesmo que em patamares nunca antes vistos - ainda não é suficiente para cobrir os custos da atividade.

O economista Hipólito Martins Filho explica que essa alta de preços vem ocorrendo há algum tempo motivada pelo aumento das exportações, o que faz com que sobre menos carne no mercado interno. Além disso, os insumos impactam no preço final de mercado. "A carne é uma commoditie, cujo preço é ditado pelo mercado internacional", disse.

Segundo o médico veterinário e consultor da Scot, Hyberville Neto, a arroba do boi gordo nunca havia atingido esse patamar. O mais perto disso havia sido em novembro do ano passado, na casa de R$ 289, de acordo também com o Cepea. "A oferta de gado para abate está restrita, mas pode ser que melhore ao longo do ano", afirmou.

No dia 29 de janeiro, encerrando o primeiro mês do ano, a arroba do boi já havia atingido R$ 299,85, o que representou uma variação de 12,24% na semana. Na comparação com fevereiro de 2020, o aumento foi de 53,8%, já que naquela ocasião a arroba do boi gordo era cotada em R$ R$ 196,20.

De acordo com boletim da Scot Consultoria, na média das 32 praças pesquisadas houve alta de 2,1% no preço da arroba do boi gordo, na comparação semanal. A oferta restrita de animais para abate segue como principal fator de sustentação das cotações no mercado interno, aliada ao bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina e a virada de mês, período de maior movimentação no atacado e, posteriormente, no varejo. No caso da oferta, a situação atual das pastagens permite ao pecuarista negociar compassadamente.

De acordo com a Secretaria do Comércio Exterior (Secex), em janeiro de 2021, as exportações brasileiras de carne bovina in natura totalizaram 107,33 mil toneladas, volume 8,2% menor que o registrado no mesmo mês do ano passado, quando o total chegou a 116,95 mil toneladas. "Enquanto o volume de gado para abate está menor, o produtor está investindo mais na cria, já que o preço do bezerro está em alta", explica Neto.

De acordo com o veterinário André Luiz Melara, da Casa de Agricultura de Palestina, apesar dos R$ 300, a conta para o produtor ainda não fecha. "O custo de produção está muito alto, com destaque para os grãos de milho e soja", disse. Para se ter uma ideia, a saca de 60 quilos o milho passou de R$ 30 para R$ 80 em um ano e soja, de R$ 70 para R$ 180.

O pecuarista Marcos Germano tem uma propriedade em Nova Granada onde atua com genética e engorda de gado. Ele cria animais da raça tabapuã e também tem um confinamento onde cabem mil cabeças de gado. Entretanto, neste ano, está pensando em não ativar o confinamento, que entraria em atividade em março, depois das chuvas. "A conta não fecha para o confinamento, tudo subiu muito", afirmou ele dizendo que hoje a carne brasileira é uma das mais caras da América Latina em função da atual valorização do dólar. "O mercado está bom, mas não vai compensar engordar gado e deve faltar carne", afirmou.

Segundo o pecuarista Osmair Guarechi, o custo de produção inclui o alimento do gado, os insumo, a matéria-prima e o maquinário. Ele explica que para engordar um animal por dia são gastos R$ 15, o que significa que 25% do valor de venda são apenas para o custeio. "O que sobra é muito pouco. Sim, para quem compra carne está caro, mas para quem produz com qualidade, os custos não compensam a engorda do boi", explica.

O ideal, segundo ele, era que arroba estivesse na casa de R$ 330.

 

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