Saúde

Obesidade infantil e novos hábitos alimentares



A obesidade é uma doença crônica, que afeta milhões pessoas em todo o mundo. E as crianças não estão livres desse mal. Pesquisas do Ministério da Saúde apontam que, enquanto 18,9% dos adultos estão acima do peso no Brasil, 12,9% das crianças brasileiras de 5 a 9 anos são obesas. A obesidade infantil, aliás, foi considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos problemas públicos de saúde mais graves deste século. Problema este que pode ser intensificado na pandemia, já que, com as escolas fechadas, as crianças estão passando mais tempo em casa.

Causada por fatores genéticos e ambientais, a obesidade é resultado de uma alimentação inadequada e um estilo de vida sedentário. É representada pelo excesso de gordura corporal, que pode acarretar outros problemas de saúde, como doenças cardiovasculares e diabetes.

Pesquisa realizada em uma escola infantil de Rio Preto, com alunos do período matutino, avaliou o estado nutricional de 157 crianças em idade escolar de 4 a 13 anos. O estudo conduzido pela pesquisadora e professora do curso de medicina da Faceres, Fernanda Novelli Sanfelice, e a estudante de medicina Michele Queiroz Balech constatou que apenas 57 crianças (36,31%) encontravam-se eutróficas (com boa nutrição), enquanto 51 (32,48%) apresentavam sobrepeso e 40 (25,48%) eram obesas, totalizando quase 58% das crianças acima do peso considerado saudável. A pesquisa identificou ainda 9 (5,73%) alunos abaixo do peso, a maioria meninas.

Para Fernanda, essa análise em uma escola da cidade é uma importante ação para promover a saúde e a prevenção da obesidade. "Evidências indicam que a prevalência do sobrepeso e da obesidade na faixa pediátrica tem crescido consideravelmente, indicando uma epidemia mundial e se tornado um grave problema de saúde pública. Ações como esta mobilizam e conscientizam alunos, pais, comunidade escolar e sociedade para o combate da obesidade infantil", relata a pesquisadora e professora.

Na casa do diretor comercial e de marketing Angelo Adriano Kelm, a filha Isabella, de 10 anos, tinha horários regrados de alimentação devido ao planejamento escolar. Com cinco refeições diárias e quantidades adequadas, sem restrições de alimentos, como biscoito recheado, salgadinho, doces e sucos industrializados. No entanto, sem a rotina escolar, o consumo desses produtos se intensificou. "Com o período de isolamento social, a Isabella aumentou o consumo desses itens por saber que estavam disponíveis em qualquer horário e de fácil acesso. Acredito também que agravou pela falta de lazer e atividade física externa, passando mais tempo na internet e na televisão", diz Angelo.

Por meio de uma campanha voltada para a qualidade de vida realizada em seu trabalho, que promoveu diversas atividades e acompanhamento nutricional e psicológico, o diretor comercial conta que identificou um aumento no peso de toda sua família. "A Isabella, que sempre teve o peso controlado de acordo com seu crescimento, aumentou 5 quilos de março a julho, então decidimos mudar a alimentação de toda a família. No começo ela estranhou e sentiu a falta principalmente do volume de doces que consumia, e teve muita dificuldade com a regra de horário, mesmo dentro de casa. Mas ela está em processo de adaptação", relata.

Mudanças

Mudar o hábito alimentar das crianças pode parecer uma tarefa difícil, já que grande parte está acostumada a comer alimentos industrializados e processados. De acordo com a nutricionista clínica materno infantil Renata Martinez, é possível fazê-las diminuir a ingestão desses alimentos realizando trocas inteligentes. Um exemplo: substituir bolachas recheadas por produções caseiras, ou ainda, os salgadinhos por legumes assados ou chips de batata doce assada.

Outra medida que contribui para a introdução de uma alimentação saudável no dia a dia é mostrar para as crianças a importância dos alimentos. Por isso, Renata aconselha a trazer a criança para a cozinha. "Na preparação dos alimentos, peça para lavar as frutas, legumes, verduras, e vá conversando sobre a importância de cada um deles no nosso organismo. Mostre que cada um tem uma cor, textura, sabor, para que possamos ingerir diversos nutrientes diferentes. Elas amam poder ajudar e aprender a cozinhar", conta.

O melhor caminho para uma alimentação saudável na infância e prevenir os casos de obesidade infantil, segundo a nutricionista, é os pais ou cuidadores também serem adeptos da alimentação saudável. "A melhor prevenção é ter alimentos naturais, vindos da terra, em todas as refeições, como frutas, legumes, verduras, castanhas. Os fast food devem ser restringidos a um fim de semana do mês, pois não podemos proibir as crianças de consumir, mas podemos restringir ao máximo", diz Renata.

Além disso, uma boa alimentação contribui para o desempenho escolar. De acordo com a nutricionista, a criança que se alimenta corretamente, dorme cedo e faz exercícios físicos tem mais disposição e concentração nos estudos. "Uma alimentação rica em vitaminas e minerais (vinda de hortifrúti), em proteínas (vegetais e animais) de boa qualidade, de gorduras boas (azeite, castanhas, abacate) com baixo consumo de carboidratos refinados, açúcares, é essencial para o bom desempenho intelectual da criança e do adulto".

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