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Metade da região tem 70% da população imunizada contra a Covid



Dentre as 120 cidades da região, em 56 delas a vacinação completa contra a Covid-19 (duas doses de Coronavac, AstraZeneca ou Pfizer ou dose única da Janssen) já atingiu 70% da população. Esse era tido com um número “mágico” contra o coronavírus quando se falava em proteção, a tão sonhada imunidade de rebanho. É preciso comemorar, sim, mas com cautela, segundo especialistas, pois o coronavírus não vai pegar as malas e sumir de uma hora para outra somente por uma questão percentual. Em Fernandópolis, o porcentual é de 73,12%.

Ulysses Strogoff de Matos, infectologista do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, considera que essa taxa deve ultrapassar os 85%, se possível até mais. “Foi calculada a taxa de transmissão na transmissão inicial do SARS-CoV-2. Hoje é de 85% a 90%, até mais, a delta é muito mais transmissível que a Gamma. O Brasil tem condições de fazer isso.”

O Brasil sempre foi destaque em campanhas de vacinação. Pesquisas já mostraram que a imensa maioria da população brasileira tem interesse em se proteger contra a Covid-19. Caso de dona Maria Geralda Martins, aposentada de 73 anos, que nesta terça-feira, 19, foi à unidade de saúde do Jardim Americano tomar a dose de reforço contra o coronavírus. “Durante a pandemia fiquei mais em casa, me recolhi, fiquei praticamente o ano inteiro sem sair, fazia consulta com médico por videoconferência. Nesse período a gente precisou aprender a mexer com internet”, contou. “Todo ano eu tomo a vacina da gripe, assim que saiu a da Covid agendamos e fomos no mesmo dia. Estou mais tranquila, posso dar um passeio a mais. Aglomeração e ambiente fechado ainda vou evitar por um tempo. Não vou sair sem lenço nem documento, tem que esperar mais um pouco”, garante a aposentada.

Maria Geralda já fez sua parte na garantia da imunidade de rebanho. Imagine cinco fósforos dispostos um do lado do outro. Se o da extrema esquerda está aceso, ele possivelmente vai passar a chama para o do lado dele, se nada for feito. Mas se o fósforo do lado estiver “vacinado”, ele não vai se incendiar. Se ele, por outro lado, estiver sem nenhuma vacina ou até mesmo parcialmente protegido (com uma dose só), a chama pode ser menor, mas será suficiente para passar o fogo para o da direita.

A analogia dos fósforos foi citada por Sylvia Lemos Hinrichsen, infectologista e consultora em biossegurança da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ela explica que o objetivo tem que ser sempre vacinar a maior quantidade possível de pessoas. Os efeitos da vacinação já são sentidos na região, mesmo com 68% de vacinação completa na média das 120 cidades. A média móvel diária dos casos, que já chegou à casa dos 1,3 mil, nesta terça-feira, 19, estava em 53. Em Rio Preto, a taxa de imunizados está em 69%.

“As evidências mostram que não é número que a gente tem que buscar, porque esse número é heterogêneo, as pessoas são diferentes, as imunidades são diferentes. Pode ser que o fósforo esteja envelhecido, não consiga produzir anticorpos suficientes”, exemplifica.

Nathalia Zini, pesquisadora e pós-doutoranda em Ciências da Saúde da Famerp, explica que a taxa de imunidade de rebanho é calculada com base na taxa de contágio da doença. No caso da Covid, cada paciente contaminado tem a capacidade de transmitir o SARS-CoV-2 para pelo menos mais três pessoas. Segundo ela, o avanço da campanha vacinal é muito importante. “Mostra que estamos no caminho certo, porém precisamos manter os cuidados para não criar variantes e ter um escape da vacina e comprometer tudo que a gente já fez.”

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