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Lockdown faz taxa de transmissão da Covid-19 cair em Rio Preto



A taxa de transmissão da Covid diminuiu com o lockdown. É o que mostra levantamento divulgado nesta sexta-feira, 9, pela Secretaria de Saúde de Rio Preto. De acordo com a pasta, quando as medidas restritivas tiveram início no dia 17 de março, ela estava em 1,049 - o que significa que mil pessoas estavam transmitindo para outras 1049. Agora, está em 0.986.

A redução evitou um cenário ainda mais desastroso no sistema de saúde e que houvesse mais óbitos. Morreram pessoas à espera de leitos, porém, com mais casos, a situação poderia ser ainda mais caótica.

Ainda durante o lockdown, essa taxa caiu para 0,993, o que significa que cada grupo de mil pessoas transmitia a doença para outras 993 - um número positivo, pois a taxa de transmissão deve ser sempre inferior a um. No dia 5 de abril, detectou-se mais uma leve queda, para 0,986. Embora quase no limite, a redução é importante, pois representa menos casos e, consequentemente, menos internações e mortes.

O secretário de Saúde, Aldenis Borim, voltou a falar sobre os motivos que levaram ao lockdown, variáveis como alta circulação de pessoas, que provocou uma elevada taxa de transmissão; o vírus circulante, que apresenta mutações oriundas de Manaus e do Rio de Janeiro; e a população jovem mais acometida, que levou a mais internações e óbitos.

"Nós notamos naquele momento que havia uma circulação de pessoas acima do esperado, tanto é que a nossa taxa de transmissão estava em ascensão acelerada, quase de maneira vertiginosa, ficando exponencial", pontuou o médico. "Muita gente estava se contaminando por causa da circulação de pessoas, houve uma variante detectável do vírus, a população jovem passou a ser mais acometida, e muita festa clandestina, com 300, 500 pessoas. A gente propôs que fosse feito o lockdown para que não perdesse o controle da doença."

Em relação ao ano passado, a média de internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por mês apresentou uma alta de 55%; os casos graves confirmados mais do que dobraram (110%) e a quantidade de mortes teve alta de 92%. O número de internações especificamente por Covid mais do que dobrou em março deste ano em relação à agosto do ano passado, quando havia ocorrido o recorde de hospitalizações - foram 698 e 1.461, respectivamente.

"Estava subindo vertiginosamente, se ninguém faz nada essa curva ia disparar, porque a transmissibilidade vai aumentando", afirmou o secretário de Saúde, ainda sobre os motivos que levaram ao lockdown.

Depois do fechamento quase total, os índices apresentam uma tendência de redução. A média móvel (soma das ocorrências da última semana dividida por sete) de casos leves de sintomas de gripe notificados caiu de 1.289 em 15 de março, data em que se decidiu pela medida mais restritiva, para 792 em 6 de abril, uma redução de 38%. São considerados casos leves notificados os pacientes que procuraram uma unidade pública ou privada com sinais leves de Covid.

Já a média de casos confirmados caiu de 420 no dia 15 de março para 127 em 7 de abril - esse número ainda está sujeito a alterações, pois nem todos os resultados dos exames feitos nesta data saíram, mas certamente apontará para uma redução. O número de pessoas em observação nas unidades respiratórias, que chegou a 126 durante o lockdown, baixou para 26 nesta quinta-feira.

O ideal, no entanto, é que esse número fosse ainda mais reduzido, pois estima-se que 10% dos pacientes com confirmação de Covid precisarão de internação por desenvolver problemas pulmonares e, desses, três vão precisar de UTI. Ou seja, com 127 pessoas por dia, ainda existem quatro indivíduos demandando um leito de alta complexidade. Considerando que cada um ocupa uma vaga por três semanas, em uma semana haverá 28 pessoas dependendo de um leito, e hoje eles estão escassos na região.

Quando o lockdown teve início, a média de casos graves estava em 47 por dia, depois subiu para 61 em 31 de março, e nesta quinta-feira estava em 32, também podendo sofrer alterações, mas em tendência de queda. O pico possivelmente foi já durante o lockdown porque o paciente não apresenta os sintomas severos nos primeiros dias de infecção, então alguns dos internados haviam contraído antes a infecção.

A taxa de ocupação de leitos permanece elevada, em 97%, bem como a média móvel de mortes (17 por dia), pois hospitalizações e óbitos são os últimos índices a apresentarem melhora, de acordo com Borim, pois os pacientes demoram a apresentar os sintomas graves, ficam bastante dias ocupando um leito e, quando vão a óbito, isso ocorre depois de alguns dias (até meses) de hospitalização.

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