Tecnologia

Há exatos 30 anos, o celular chegava ao Brasil



Há exatamente 30 anos, Joel Marciano Rauber, que ocupava o cargo de Ministro de Comunicações na época e o então ministro da Infraestrutura, Ozires Silva, realizaram a primeira ligação telefônica de um celular do Brasil. A chamada cruzou estados, partindo do Rio de Janeiro, no Aterro do Flamengo, até São Paulo. Foi no dia 30 de dezembro de 1990, data que ficou marcada como a chegada do celular no Brasil.

Naquele primeiro momento, foram 700 linhas habilitadas em todo o País, número irrisório diante da quantidade de celulares hoje. O aparelho faz parte da vida da maioria dos brasileiros, sendo responsável por conectar pessoas ao redor do mundo. Segundo levantamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), até o ano de 2019, três em cada quatro brasileiros tinham acesso à internet por meio do celular, o que representava a maioria dos acessos na rede, além disso, 59% das pessoas afirmaram que o acesso a internet partia exclusivamente pelo celular.

Só em Rio Preto, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), até outubro deste ano havia 1.173.763 de linhas de celulares ativas na cidade. Com uma população estimada de 464.983 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a cidade tem 2,5 linhas por habitante. Desse total, 54,81% das linhas são registradas em nome de pessoas físicas e 45,19% de pessoas jurídicas. Além disso, a tecnologia mais utilizada na cidade é o 4G, totalizando 63,26%, seguida do 3G, com 23,20% e do 2G, que engloba 13,54%. 

As três empresas de telefonia com o maior número de linhas na cidade são a TIM, com 40,70%, a Claro, que contempla 29,70% e a Vivo, com 21,88% da linhas ativas.

Apesar de trazer a comodidade de conversar com qualquer pessoa e se conectar à internet em qualquer lugar, o uso do celular em excesso pode acarretar alguns problemas, causando dependência nos usuários. Um desses casos é a "nomofobia", cujo termo vem da expressão em inglês "no-mobile", ou "sem celular".

A psicóloga Ana Caroline Ignácio da Silva, que estuda psicologia cognitiva e comportamental, explica que a nomofobia é o medo irracional de ficar sem celular. "A nomofobia é decorrente do vício que as pessoas possuem no uso do celular e não conseguem se manter distantes do aparelho. Isso só demonstra que a nossa realidade está mais em função do celular do que do nosso próprio mundo real. Consequentemente, quando não temos acesso ao nosso aparelho móvel, ficamos vulneráveis a crises de ansiedade extremas, que podem acarretar um transtorno fóbico como a nomofobia, atrapalhando, assim, as pessoas de um modo geral, suprimindo a sua qualidade de vida", afirma.

Ana Caroline diz ainda que, além dos problemas de saúde e transtornos, o uso em excesso afeta as interações sociais do indivíduo e impacta o foco e a concentração. "Esse hábito praticado de forma exacerbada, além de ser maléfico à saúde mental das pessoas, podem desencadear transtornos e atrapalhar totalmente a nossa interação no meio em que vivemos. Essa obsessão tira totalmente o foco do indivíduo nas suas ações, muitas vezes ocasionando acidentes em diversas áreas. Quantas vezes vimos alguém parar no semáforo e mexer ao celular ou muitas vezes mexer enquanto se está na direção do veículo, sabemos que isso é perigoso, mas fazemos porque não conseguimos deixar o celular", conta.

A psicóloga conclui dizendo que, caso seja percebida a compulsão, o mais indicado é procurar ajuda de um profissional e iniciar o tratamento com psicoterapia. "Temos que ter em mente que a tecnologia é um facilitador no mundo em que vivemos, mas é necessário haver equilíbrio para que não atrapalhe a interação com o mundo real, nem desencadeie transtornos fóbicos", finaliza.

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